sabato, agosto 04, 2007

fraintendimento


è...


no momento é um pouco dificil escrever em "brasiliano" com este teclado configurado para o italiano, faltam o til, o agudo, o circunflexo, o c cedilha, é bem verdade que eu seria bem mais contente se apenas faltassem os acentos... ou nao.


me parece que os devaneios encontrarao novamente o seu nao-lugar, e isso é mais do que necessario para continuar a circular na invisibilidade aprisionante.


u m i d a d e r e l a t i v a d o a r i n s u p o r t a v e l


sabato, maggio 19, 2007

penélope schifosa mandala greenflood



sinto tanto prazer, comoção, tranquilidade, quando vejo a pequena penélope comendo, no seu cantinho, a ração que, com método, carinho, extremo cuidado, deposito, arrumo, misturo em sua pequena vasilha... pequenos bocadinhos que a pequena mastiga em momentos inesperados e vigiados, às vezes quando consigo flagrar estes 'momentos', sob meus olhos atentos de mãe. bebê anárquico: mordendo a mochila, patinhas descobrindo e revirando meus textos já revirados, olhos estupefatos com a fumaça e o brilho que saem do meu cigarro. foge do meu toque pretensioso e carente, e retorna sorrateiramente aconchegando-se pertinho do meu corpo, fechando os olhinhos de cores indecifráveis e mutatis mutandis, esticando-se e ocupando anarquicamente o outro lado da cama e sempre de todas as "SUAS" camas... e os pêlinhos crescem, as patinhas encantadoras que assemelham-se a meias soquetes brancas, sempre pontual em observar e aguardar os que entram e saem dos banheiros. e as movimentações de um bater de pratos ou de um abrir da geladeira e a expectativa infindável ante tantas recusas de, ao pé da pia, lhe ser dado algo daquelas úmidas e cheirosas rações daqueles que a tomam como a pequena, a doidivanas e a felina da casa. e mamãe aqui sempre fiscalizado os traços, pistas de algum que se deixou encantar, um que se esqueceu que o bebê anárquico não pode devorar, com a avidez que possui, aquelas outras iguarias dos grandões chatos despidos de sua felinidade. "pequenina, isso não pode!", e lá me vou a colocar grãozinhos de um colorido com formas de peixinhos e estrelinhas de uma friskies para tornar um pouco mais atraente aquela insólita (mas, necessária a um bebê em crescimento) cat-chow para pequeninos. e se tosses, me desespero, e se aparecem, inadvertidamente, pulguinhas, eu me desespero e troco o que guardei para os cigarros para somar ao que te é necessário, seja quanto for, aonde for, sobretudo, para que estejas tranquila, pequenina. e se... e se... sinto-me como uma histérica ou neurótica e excessivamente preocupada mãe em lágrimas mornas e acolhedoras, como o toque involuntário de tua pequena fuça e patinhas em mim. sentirei, sinto e sempre senti que algo em meio a tantas confusões que delineiam-me, incorporam-se somente seria preenchido por ti, minha pequena penélope.

venerdì, maggio 18, 2007

caros amigos da rede wonderland, se não for publicado fora de wonderland, com certeza aqui o será ... [por enquanto, os agradecimentos ao boss-editor]





Ris

da

nascondi dettagli 16 mag (2 giorni fa)

a



data
16-mag-2007 15.07

oggetto



proveniente da



daLacrime Nascoste
a

,
rosab@ufba.br,
lacrimenascoste@gmail.com
data
16-mag-2007 15.07



hey, boss.

agora que já o fiz vir até quase perto da fronteira e saber quem é esse maluco que me deu os melhores presentes que eu já recebi em um quarto de século e cigarros (!!!!!!), agora sim...
mando uma cópia por emeio.
queria realmente era te entregar esse manuscrito em papel,
mas já te expliquei como são as coisas aqui em casa.
leia, rabisque e fecharemos em conjunto a redação final,
antes de qualquer coisa,
obrigada, não pelos livros nem pelos textos nem pelos cigarros,
mas por se dispor a ler o que escrevo.
abraço e beijo
asor acnaib.

ps: mandei cópias para meus e-mail's, não confio em mandar arquivo sem saber que chegou
onde tinha que
chegar!


he he he
paranóiaaaaaaaa!

martedì, maggio 15, 2007

Haleluia!!!!! ( foi assim que finalizou mesmo, em A divina comédia, Mutantes, 1970) - o upload da imagem demorou, o título deixo no final da feira.


"Ave, Lúcifer"
em A divina comédia, Mutantes, 1970 ... é o que está rolando...

organizando a biblioteca (que não são aquelas das ficções borgianas) para que as preciosidades não fossem novamente amassadas e se tornassem colônia de férias de baratas quando colocadas nas caixas dos trambolhos que deixo sob a supervisão de eve, enquanto estiver fora ...
(não vou te dizer 'de onde', 'aonde', 'porque', uma vez que isso apenas diz respeito ao 'seo lobo', à 'barbearia da cibele', à 'rainha regina', ao 'sun yi sa', às 'meninas-superpoderosas-com-doutorado', ao 'menino-que-não-tem-um-nome-em-wonderland' e à 'senhorita eve')
no domingo em que eve dispensou brando, kidman e suportou caco antibes por quarenta minutos, me (indis)pus a colocar alguns livros sobre os outros em algum canto da periferia de wonderland e conscientemente (ou não, imagino que tenha sido mesmo por relação espaçoxbeneficio), eis que um certo montinho me pareceu bem coerente disposto, e
não irei explicar, porque não estou aqui para isso, não sei fazer isso, e ainda nem descobri como se eu escrevo maU com U ou maL com L.


de baixo para cima, óooooooo:

as esquinas perigosas da história - valério arcary
vigiar e punir - m. foucault
o horror econômico - viviane forrester
a mulher mais linda da cidade e outras histórias - bukowski
numa fria - bukowski
o capital saiu para o mar e os marinheiros tomaram conta do navio - bukowski
o inconsciente, sadomasoquismo, super ego, fobia, complexo de édipo (pequenos livrinhos de bolso, coleção viver - mente &cérebro/ conceitos da psicanálise)
'o médico e o monstro' e outras histórias- robert louis steveson.
bíblia sagrada (edição da família - vozes)

finalizando com "Jogo de Calçada" em
A divina comédia, Mutantes, 1970 ... é o que está rolando...




seo ferreiro que imagino não ser ferrado, estou indo agora, agora, agora mesmo tomar banho para uma disputa com aposentados e categorias anexas pela leitura dos jornais,

o resto eu já te disse...



para ilustrar este post.

conversation piece à la visconti.

mamãe veste azul e amarelo, eu sou marrom e meu irmão colocou um amarelo para fechar geral na fotografia - os fragmentos de família-seção carlos gomes, salvador, bahia de bambola schifosa.

venerdì, maggio 11, 2007

bamboschifoshow: a bostinha despretensiosa que entupiu a tua privada



às 07.27.

putapreguiçadocaraleo.

ah, pode ter sido um trote, uma alucinação ou sei lá o quê.
mas, disseram que dava para puxar um no beck, entrar na roda, ganhar um troco ou uns seminários do lacan, trocar uma idéia viajante ao telefone,
tá, tá.


recomendação schifosa das 07:30.
acesse o "filosofia privada", uma vez ou outra, ou todos os dias, ou nunca.
tô uma coxinha de rodoviária por lá.
você pode ler,
pode insultar,
ser insultado,
hehe.
não dá pão, mas dá circo.
e alguém pode até te ligar para ser publicado!!!
e assim...

mais uma página de curriculo lattes!!!!

"besta é tu, besta é tu, besta é tu..."

então, fiquei, até agora às 08: 24, tentando lembrar a letra de um forró que eu ouvia muito quando pequena na roça do meus avós e de toda a parentada de santo antonio de jesus.
meu avô, seu Zé Melo, tocava sanfona para conquistar as moças, se é "pilha"do meu falecido avô, eu não sei, mas ele sempre me contava muitos causos, às vezes, os mesmos uma caralhada de vezes, e eu ouvia sentada no banquinho que eu colocava junto da cadeira dele, na porta da casa, toda noite, rua 13 de maio, casa 34, santo antônio de jesus, bahia.

então, homenageando toda aquela esquizofrenia das entidades espirituais e personagens que comentam nos tópicos...

forró do beliscão


maria foi ao forró do grotão
começou a reclamar e levou um beliscão
todo o mundo... 'o que é isso maria?'
por favor não faz barulho
que aqui tem que beliscar

beliscar não é pecado
diz o padre capelão
conforme seja o lugar
e o tamanho do beliscão...
meia-noite o forró tava esquentando
eu vi maria dizer 'belisca que eu tô gostando'

beliscar não é pecado
diz o padre capelão
conforme seja o lugar
e o tamanho do beliscão.

a turma vendo a maria reclamar mas também tavam querendo e começaram a beliscar


(e aí repetia ....)

beliscar não é pecado
diz o padre capelão
conforme seja o lugar
e o tamanho do beliscão.

de manhã o forró tava acabando
todo mundo sorridente
todo mundo beliscando....

(ah, só quando eu cresci um pouquinho mais, hehe, descobri que esse era um forró do Ary Monteiro , do fabuloso João do Vale e Leoncio)


imagine como isso é gostoso na voz da marinês e do genival lacerda.
ah, tá.

giovedì, maggio 10, 2007

reflexões muito menstruadas.


meu perfil no orkut tem uns 23 elementos e ainda me incomodo bastante e ainda está tão claustrofóbico e constrangedor como uma descida - onde não dá tempo nem de esculhambar paulo maracajá e mostrar os ingressos para o próximo jogo do bahia jurando que é a última vez que irá ao estádio dar um último crédito ao esquadrão de aço, sair puto berrando "devolvam meu bahia" e retornar à fonte para cumprir o mesmo ritual - no elevador lacerda em horário de pico.
o melhor do orkut é "orkuticidar-se". é idiossincrático. tenho fixação em apertar botões. e o botão do orkuticidio é tão excitante quanto fazer um mega pedido no mcdonald's do center lapa e ficar repetindo para si mesma que ninguém está notando a quarta internacional tatuada no braço esquerdo e ingressos para qualquer baixaria de 3,50 com direito a pipoca com quase meio quilo de
sal.
principio do prazer, retorno à fase anal, laxante para o mal-estar na civilização, espasmos de mattia pascal, gengê e laudisi, esvaziar a lixeira da mochila nas águas venezianas de rialto e da piazza san marco, a tensão na fila do balcão do cdl à espera de um novo "nada consta" no spc (e, é claro, um passadinha rápida no comércio para verificar o serasa) praticamente com a morte na alma sartriana de ansiedade
hitchcockiana para preencher novas propostas da c&a, marisa, riachuelo, esplanada e, queira-deus-nosso-senhor-jesus-cristo, um hipercard.
ah, o eterno retorno!

ps (pensamento sacana) : por que meu marido não é meu fã no orkut?

putaquepariu, 04:11.
agora só me resta fumar um cigarro e tentar pegar um cochilo e, sobretudo, não tentar pensar se penélope está azucrinando as baratas e a lixeira da cozinha, só para sacanear.



mercoledì, maggio 09, 2007

os chocolatinhos não falham.


estou muito menstruada.

retornaremos à programação normal, quando eu estiver não muito menstruada.



traga o balde.

martedì, maggio 08, 2007

COMO IMPLODIR UMA REUNIÃO: anarquista implode reunião de trotskistas de ocasião lacanianos.


"não sou trotskista de ocasião lacaniano, sou 'senatore a vita'" - guido pasolini confirmando as especulações sobre a retirada do trotskismo do programa, a mudança no nome, bandeira , símbolo do partido e expulsão de anarquistas felinos.


militância reunida para o núcleo extraordinário envolvendo mais uma polêmica fervorosa sobre análise e caracterização da conjuntura internacional em wonderland.







"chega de ração, agora é leite e salmão"

penélope (figura pública dos radicais anarquistas muito muito de esquerda felinos)


Corrente trotskista de ocasião lacaniana da anarquia de esquerda felina questiona a legitimidade de reunião da célula do partido convocada pelo executivo sem consultar as bases que sofrem de insônia no movimento.

Alegando que a militância da corrente de ultra-esquerda felina está empantanada na luta na disputa dos resíduos desconhecidos da lixeira da periferia de wonderland com as baratas imperialistas que ocupam militarmente os setores periféricos, porém essenciais para a manutenção do crescimento na horizontal da população compulsiva-obsessiva atingidas covardemente com a proibição de cigarros e latinhas porta-bitucas nos arredores do centro financeiro da capital, a direção política dos radicais felinos exigem a imediata destituição da cúpula partidária.

Segundo a assessoria de imprensa da corrente trotskista lacaniana da anarquia de esquerda felina, o executivo do partido tem corroborado para o enfraquecimento dos comitês de resistência da corrente usando métodos duros de coerção e tortura por intermédio de pulgas. mercenárias.










microfones desligados.

os radicais estão implodindo a reunião, partindo para o ataque aos membros da corrente majoritária e conclamando a base ainda descafeínada e sem cigarros a incorporar-se à ação direta revolucionária.

escândalo: figura pública da corrente trotskista de ocasião lacaniana da anarquia muito mesmo de esquerda felina agride aspirante do núcleo infanto-juvenil em processo de árdua captação em momento de insanidade coletiva de sua corrente. A base continua com insônia, descafeínada e sem cigarros e realmente com muita preguiça e desmotivada para intervir politicamente.


.


lunedì, maggio 07, 2007

não me citem sem me pagar por isso.


tava aqui trabalhando para organizar o projeto para apresentar em metodologia da pesquisa.
orientadora viajando para fazer pós-doc, então tem que agilizar e ver o que é tem que ser revisto: problema, problemática, hipótese, revisão de literatura, etc.
daí, bate um elemento aqui e me dá um toque sobre "gorda enjeitada imbecil burra e não sei mais o quê que quer pongar na fama alheia e tal".
daí, eu penso.
- que diabos fui fazer ali mesmo? ah, sim. um comentário sem muita pretensão com ironia de baixo potencial e blá blá blá, porque uns ex-colegas de graduação de Língua Estrangeira me
"atualizaram " sobre os acontecimentos e peguei, como sempre pego, um exemplar do jornal da facom e li um texto que me fez rir (ah, esquece os motivos, pode ser motivações de uma gorda enjeitada imbecil burra e não sei mais o quê quer pongar na fama alheia e tal) assinado por uma garota que me fazia rir quando convivi por um semestre de graduação em 403.

aí,
eu que tô aqui correndo (não correndo muito, porque peso quase 87 quilos em 1.61m) contra o tempo, os surtos psiquiátricos e os honorários do analistas e os prazos de M.P e com um puta pós-operatório de quase 12 dias.

isso me faz lembrar que:
interrompi o que estava fazendo para escrever este post.
por nenhuma razão muito cabível e importante.
ah, sim.
uma razão só.

preciso redigir uma dissertação e não tenho saco nem de ficar brincando de anônimos, fakes e correlatos.
eu assino o que escrevo, é claro com os mais 500 heterônimos que tenho.
entretanto,
quando um (uma) deles (delas) se pronuncia, apenas ELE ou ELA continuará o que começou.


Perdi o comprimido de rivotril, quando recolhia as fezes de Penélope na caixa de areia.



Insônia.
Leonora Pederton deveria chupar o pau do Firebird. Só pode ser. Se bem que dá a boceta para o coronel Morris já demonstrava que há algo realmente que me incomoda em Leonora. Martha só bebe e insulta George. Isso é muito melhor. Realmente. Maggie é ridícula. Ela deveria dar o para Big Daddy, daí ele morreria contente e sem morfina. E daí, eu poderia usar a morfina do Big Daddy. E como Brick não irá tomar todo aquele uisque, mande umas caixas num expresso 1958-2007.
Major Weldon Pederton, assim como o Brick e Skipper, deveria resolver seu balocobaco com o L.G.
Skipper era caso do Brick.
Isso é óbvio? Não sei.
As crianças de Mae deveriam ser todas torturadas. Elas cantam, dançam e representam. E os poucos que sabem dos meus momentos lúcidos podem supor que isto muito me incomoda.
Crianças que cantam, dançam e representam.
E Big Daddy?
E Ida?
E Deacon? Este reafirma o que penso sobre advogados.
Anacleto, o filipino pequeno que ouve Rachmaninoff, canta, dança, pinta e representa (ele pode, não é uma criança chata que enche o saco no Raul Gil) para Mrs. Langston, para os íntimos, Alisson.



martedì, maggio 01, 2007

na moral....



EU PRECISO URGENTEMENTE
de :


- uma carona para ir amanhã (quarta-feira) à UFBA bater o ponto em Metodologia da Pesquisa e Seminarios Avançados II, porque não está dando para subir os degraus do buzu, ainda.

- um digitador para esta merda de blog, porque não está dando para ficar sentada aqui por mais de 20 minutos, ainda.
- créditos da claro ou do livre-embratel, porque estou incomunicável com o mundo, sobretudo com meus médicos e psicanalista.


porra, eu quero sair daqui.
caralho.
só isso.


Não pago nada.
Não dou nada.
Não empresto também.
E se souber de alguém que empresta, me avise.
Preciso de um agiota.

Os peidos de Martha são seguramente mais insuportáveis...


...
Professores que não trepam, não bebem um trago, bebuns enrustidos e que te enchem o saco quando Martha realmente percebe que eles são uns farsantes com títulos acadêmicos, carros e livros que Martha não pode comprar e que Martha TEM que fotocopiar pedaços de fragmentos de trechos de parágrafos de páginas sem technicolor que eles consensualmente (ou não ) resolveram que são somente passíveis de releituras ou re-re-re-interpretações ou ejaculações por quem está com o rabo comprometido a ser fodido, melado e dilacerado por eles, os quais também foram fodidos, melados e paparam toda a porra ejaculada verbalmente (ou não) de seus professores.
Rituais patéticos, entretanto possuem um público condizente com o menu oferecido.
Martha poderia ter esculachado, porém Martha pensa que deveria ser paga para isso. Alguém tem que pagar. Martha precisa e quer ser paga pela massa infame. Martha é uma prostituta respeitosa sartriana. Não quer mais comediar os cocôs com doutorado e o cocôs-mestrandos e cocôs-doutorando, até porque Martha quer ser uma diarréia violenta com todas as honras e títulos que o Social Clube Acadêmico pode lhe oferecer em trocas de serviços de repetição sujos. Reprodutibilidade técnica, babe.
Martha precisa pagar as bebidas, os cigarros e continuar comprando seus produtos AVON e outros acessórios indispensáveis como exemplares canônicos e manuais de sobrevivência em ambientes de alta escrotidão e proselitismo.
Folhear, reproduzir, resenhar, redação de dissertações e teses. Reprodutibilidade técnica, babe.
Martha é uma impostora, também. Substitutismos.
Martha andou por uns grupos. Ela não andou COM os grupos. Ciscou, deu o ar de sua desgraça e falta de credibilidade a seu favor sempre. Sejamos materialistas-históricos, babe: Vendeu mesmo o que restava de rabo e espasmos de falsa consciência feurbachiana, entretanto, porém, todavia...
Ai. ai, ressaca necessária para analisar e caracterizar que os cocôs com vermelho sangue de hemorróidas se dirigem aos balcões das farmácias 24 horas para adquirir a preços não tão módicos suas amenizadoras pomadas que realmente ultrapassam todo e qualquer compromisso militante com o crescimento e espessura do vermelho sangue do cocô das hemorróidas.
Martha levanta, saí, não dá tchau, manda alguém se foder, alega incapacidade psiquica e sai por aí dizendo que não vai deixar de dar o cu porque tem que manter a resistência e o espetáculo do crescimento do vermelho sangue fedorendo das hemorróidas. Martha não tem onde tirar um extra para comprar as pomadas dos subversientes que se insurgem ocasionalmente para compor as estatísticas institucionais da Animal Farm!
Martha dá o cu, e, por dizer que o faz, é uma "comrade" que não dá as pregas pela insurreição semestral da colônia de férias estudantis com todas as despesas pagas.
Martha tem cara de Martha,
ainda que o disfarce é descaradamente e propositalmente comum e desinteressante.
Martha veste dominós comprados em 8 vezes iguais com juros que não mais descarados do que o fingimento de Martha em saber para discursar e não saber para se virar a utilidade do conhecimento das taxas de juros em Wonderland.
Os dominós são apertados, ordinários, desconfortáveis, porém têm classe.
E Martha não é mártir.
Se puder te foder para comprar as pomadas amenizadoras da subversiência institucionalizada, ela o fará, não tenha dúvidas.
Martha quer dirigir sua cadeia de farmácias.
E para não perder o hábito, Eve é patética e merecedora da tortura do eterno retorno de Martha.

E aqui tem muita porra de "erro" de concordância, ortografia e outras frescuras da gramática normativa da língua portuguesa, fodam-se- disse Martha.
Martha é da sociolinguistica de botequim.




Martha e as hemorróidas.


Martha era um bom nome. Soava bem aos seus imundos ouvidos.
Ela pensava se um dia seria capaz de pronunciar aqueles "th" como e com os britânicos.
Martha não tinha portas. Martha não tinha portas: sem portas, fechaduras e chaves.
Martha odiava o nome que tinha que usar para atender aos telefones e às pessoas que, geralmente ela não se importava muito, nas ruas e outros lugares sórdidos de sua "frequentação".
Muitos nomes, todos odiosos. E cada um deles possuia uma significação realmente desprezível se considerasse o conjunto da obra Martha.
Martha ia na cozinha: comia o que achasse menos repugnante para aquela manhã, o horário no qual resolvia olhar as caras enfadonhas que compunham o corpus de sua existência no complexo penitenciário.
Iogurte de ameixas, café com leite e jatos de adoçante, um pão seco sexo seco.
Sua preocupação era não terminar o café antes do cigarro. Geralmente o café terminava com aquele restinho frio e os resíduos químicos dos jatos de adoçante, então continuava a fumar engolindo o iogurte.
Agora poderia retornar à sua cama. Na verdade, nem era sua cama, seus lençóis, seus travesseiros;
Tudo pertencia à Eve e aos credores, mas sem Martha isso não seria possível.
Eve era uma retardada cheia de misticismos de ocasião. Ah, Eve.... saia das memórias de Martha!
E tinha o garoto. Martha continuava não tendo janelas. Nem portas.
Leu alguns páginas de um homem que já tinha lido inúmeras crises vezes. Martha era uma falsa mutante. Mutatis mutantis.
Olhava os frascos, resolveu escovar os dentes, escovava os dentes careados, obturados, careados novamente, obturados, careados novamente e feios. E faltava UM. Martha não tinha um dente. Isso é era absolutamente deprimente para Martha, mas não se preocupava em preservar o que restava. Odiava o ritual de escovação de dentes, limpar língua e tudo o mais.
Martha precisava de um banheiro SEU.
Eve passou, passava, passou, passa e passará. Viu, via, vê e verá água no chão. Martha olhou, olhava, olha e olhará Eve que vomitou, vomitava, vomita e vomitará alguma merda sobre não usar o pano de chão do banheiro para conter a água que cai da pia. Não enxugue o piso do banheiro com o pano limpo que eu lavei, lavava, lavo e lavarei. Imundice.
Martha não escolhia os lençóis nem as toalhas. Era a taxa por não lavá-las. E Martha sempre odiou, odiava, odeia, odiará lavar roupas.
Passou gloss nos lábios grossos e deformados, usou um gel de limpeza para o rosto e uma máscara facial ainda não pagas.
Fazia isto por não ter realmente nada que a situação naquelas manhãs, dias, semanas e anos ou sua preguiça ou síndrome de derrotismo ou futilidade mais do que necesssária para sobreviver ou qualquer outra coisa.
Martha não tinha nada de alcóolico, naqueles dias, semanas e meses de cárcere semi-fechado por si mesma, Eve e carteira vazia.
Eve trouve algumas coisas do mercadinho que ontem acalmariam Martha. Hoje não servem mais.
O garoto que não é mais garoto e não sei como chamá-lo aqui parece um acessório que às vezes Martha percebe no meio de tantos restos de variadas peças de mobília que não foram vendidas, ainda.
É um acessório-garoto-mimético.
Martha tem três paredes e não tem portas e não tem janelas.
Eve... uma carcereira maníaca compulsiva depressiva.
Martha odeia pessoas que sorriem.
E crianças que cantam e dançam.

Martha tem mais a dizer, mas são 12:37, meus pontos estão doendo e preciso de ajuda para levantar esta bunda gorda da cadeira.
Isso não é nenhuma porra literária, avisa Martha.

Como os sit-com que Martha odeia e repugna,
finalizo este pedaço do trecho da parte da diarréia verbal de Martha
to be continued.

lunedì, aprile 30, 2007

domenica, aprile 29, 2007

Anestesia geral, ampla e irrestrita.


Foda-se se você não consegue ler com esta cor.
Aliás, eu vim postar o meu descontentamento com toda esta merda, não esta especificamente.
Eu não tenho bons propósitos, aliás nenhum propósito.
Quando se lê os mesmos livros do Bukowski ao ponto não saber mais quantas vezes já os leu, considerando que existem dezenas de textos para serem lidos, marcados, comentados, estudados e, quiçá, reproduzidos com alguns rídiculos disfarces do "eu penso", "eu percebo", " eu vi", " eu analiso"...
Sério, estou muito puta da vida.
Hoje é um pútrefo domingo, como todos os outros, mas estou com rídiculos pontos de uma cirurgia aparentemente (ou seria mesmo?) simples e banal, como tomar um café e fumar um derby num ponto de ônibus às 06h. Eu não fumo derby e não pego mais ônibus às 06h.
Eu não tenho vesícula. Ah, mas você também pode não ter. Aliás, quem já não tirou a vesícula por método videolaparoscópico?
Não me interessa. Não quero saber.
Eu não consigo me mover, respirar, sair, entrar.
E tem esses pontos, inofensivos. Mas dói. Caralho, incomoda. Daí, eu me sinto oficialmente paralisada. Porra, porra.
E não era nada disso que eu pensava em escrever. Aliás, não estou nada espirituosa.
Não posso descer e procurar meus cigarros. Daí, fumo esse intragável Free light.
Não posso ir à UFBa, reclamar, resmungar, me chatear como de costume.
E não consigo ler NENHUM texto para o projeto, para os cursos, enfim,
porque eu preciso me mover, isso é essencial aos meus processos (são inúmeros, caóticos e não irei explicá-los, porque os desconheço e também porque talvez sejam os mesmos de quem se digna a ler este lixo que escrevo, esqueçam) cognitivos.
Já admiti que nunca chegarei a tempo para ver passar o trem da "estória", porém não sou obrigada a aceitar algumas porcarias que são publicadas e distribuídas aos montes nas unidades da UFBa. Eu deveria não ler, então. Mas, eu preciso folhear. TUDO. Até os encartes da Insinuante. Eu gosto de folhear tudo, quando posso me mover.
Não dá. Não dá.
Eu comprei uma sombra, um gloss e um lápis retrátil. Quando é que irei usar isso? Sei lá? Nunca me dêem uma revista da AVON ou da NATURA, ainda mais quando estou em quase plena capacidade de movimento.
Ah, eu tinha que escrever um e-mail para a Herrera, mas não posso me expressar se não consigo me movimentar do modo que eu preciso ser o mínimo necessário para chegar na Prof.Dra. e dizer " Na moral, isso já está ficando patético para ambas".
Ah, por que eu estou aqui? Porra.
Posso expor uma série de razões:
1) não aguento mais ver meu irmão, meus primos jogando GTA San Andreas, é uma ocupação improdutiva do computador, ainda que isso aqui não seja nada melhor do que o que eles fazem. E eu não sei jogar. Eu os invejo. E eu queria ter minhas gangues, armas e putas à disposição, mas não sei jogar. Não sei jogar! Não sei jogar! Então venho aqui castrá-los ainda que eu esteja morrendo de dor e não tenha nada que seja útil que eu possa fazer NESTAS CONDIÇÕES (ou até nas consideradas quase normais) de restrito movimento.
2) porque fui ao banheiro há 15 minutos, daí resolvi aumentar a extensão do sofrimento sentando-me aqui para vomitar estas palavras.
3) porque cansei de ficar zanzando entre Coltrane, BMS, Le orme, Museo, Billie, Ella, Smiths.
4) eu não tenho filmes para ver.
5) eu tenho dezenas de textos para ler, elocubrar, emitir um juízo de valor equivocado segundo alguns professores e rever pontos do projeto.
Existem outras coisas também,
mas não interessam.
Não é que não interessam, mas cansei de digitar.
Até quarta-feira, preciso agilizar.
Não sei o quê, mas preciso agilizar.
Porra,
eu preciso dos meus movimentos não muito plenos. não muitos graciosos. não muito belos de ser ver. mas são as minhas porras de movimentos.
e preciso de dinheiro também.
os credores estão em toda parte.
ah, eu quero voltar para o hospital.
eu quero apertar o botão da enfermaria.
AH, eu gostei de apertar o botão.
Ai, merda.
AI QUE DOR FILHA DA PUTA!!!


domenica, aprile 22, 2007

ainda pode ficar pior?


não parece animador.
nem é para ser.
ou é.
poucas horas antes de um procedimento cirúrgico que não aconteceu.
oh, o piercing que ainda restava....
a camiseta do Sun Yi Sa,
olhos inchados,
olheiras,
manchas rosas,
palidez.
Se é para entrar num hospital, que ao menos te cortem ou te matem no centro cirúrgico. A enfermeira vem, a enfermeira vai. O anestesista vem, o anestesista vai. O cirugião? Ah, ele também vem e vai, sem, é claro, deixar de fazer considerações extremamente esclarecedoras: "Teu plano é uma porcaria mesmo, hein?"

Safenas, miomas, úlceras, úteros estilhaçados, rins que não funcionam, tumores benignos vêm e vão.
Esqueceram a lítiase biliar,
trânsito intenso,
mas não para a lítíase biliar.






WHAT A DUMP!


No surprises.

Eu esqueci o endereço do blog.
Eu esqueci o login.
Eu esqueci a senha.
Eu estive por aí, o que não quer dizer que não escrevi, pensei ou elocubrei.
Visitei muitos psiquiatras.
Eu morei só.
Eu pratiquei Aikido.
Eu estudei e não aprendi russo.
Eu convivi com dois gatos estranhos.
Eu briguei.
Eu não apanhei, ao menos fisicamente.
Alguns cicatrizes.
Novos médicos.
Não cortei os cabelos.
Eu tranquei a graduação de Língua Estrangeira.
Seleção, aprovação.
Eu conheci o Sun Yi Sa.
Eu me casei com o Sun Yi Sa.
Eu usei meu passaporte.
Engordei uns 20 quilos.
Eu trabalhei num bar por 3 horas.
Não fiz parte do staff da Demetra, mas fiz 40 horas, recebi meu dinheiro e não voltei mais lá.
A China é onipresente. Os chineses estão em todo lugar.
Eu conheci o Spritz.
Eu dormi no aeroporto de Lisboa.
Eu tenho uma "giacca arancia".
Frequentei muitos banheiros.
Estamos em abril,
novamente com mamãe,
Sun Yi Sa, eu te amo.
Eu estive em Chirignago.
Vesna e Alessandro eram estranhos e macabros.
Tarzan comia ricotta.
Diadorim traficava haxixe.
Viajar de trem não foi surreal.
Estou na folha de pagamento do CNPq.
Sun Yi Sa ainda não terminou a tese,
mas Sun Yi Sa foi à India,
e não é mais budista,
e fuma Diana Blue,
e bebe água com gás,
e não comprou o xampu para a caspa.
Fui detectada pelas telecâmeras de Renata e Stevio.
Penélope morde meus dedos e não gosta de Whiskas.
Life is now: Gattuso, Totti e a Vodafone dizem isso.
Sun Yi Sa não é chinês.
Não gosto de pesto.
Algumas camas quebraram.
E celulares também.
Quem tem medo de Virginia Woolf?
Sun Yi Sa está do outro lado do Atlântico, outra vez.
Meu irmão fará 18 anos.
Até às 11:48 deste dia, meu nome não foi incluído novamente no SPC e no SERASA.
Via Miranese tem 12 paradas.
Bunny cometeu suicidio, mas o autor do livro discorda de minha interpretação.
Patrizio é o alter ego de Gibbins, como sempre o autor do livro discorda desta minha interpretação.
19 de junho, sentarei no corredor e perto do banheiro.
Salvador-Madrid-Milão.
Ah,
Pirandello, Freud e professores de Metodologia da Pesquisa me atormentam.
Quarta-feira é dia de Sérgio, Marisa, Nívea e Ricardo se alcoolizarem.
Terça-feira é dia de Marisa, Nívea e Ricardo reclamarem do Sérgio.
Alguém sempre tem que fazer uma viagem, mas não viaja.
João Queiroz afirmou que Saussure morreria no caminho da barraquinha de café.
Peirce e suas tríades.
Sun Yi Sa não é um pescador.
86,600 - disse a Diva, sexta-feira.
Ah, é meio-dia.
Sun Yi Sa, eu preciso de você.
















mercoledì, agosto 02, 2006

Psicanálise e Sciochitto : novas cartas do lado de cá.

Tenho quase certeza de que você tremerá de horror ao saber que estou escutando, neste exato momento, The Strokes! Sim, eu curto (um pouco) os Strokes, mas não é a mesma relação que tenho com outros fabulosos grupos com os quais compartilhamos interesses.
Hoje, nesta carta escreverei sobre minhas andanças no campo da psicanálise freudiana. É bem verdade, estou um tanto quando deslocada, mas, digamos, meu caro camarada, que isso não fere em nada o suceder de nossas conversas sobre os processos sociais fora dos muros da RFA.
Lembrei-me de um texto de Freud de 1912, mas publicado em inglês em 1924.
"Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise". Discuti alguns itens há uns oito meses com meu psicanalista, mas esta manhã resolvi resgatá-lo para saber o que opinas a respeito.
Eu sempre regasto algumas das informações/ afirmações de Freud a respeito do método, porque sempre me deparo com simulacros de analistas nos pátios da escolas de Psicologia.
O cara Sigmund dizia que o sentimento mais perigoso para o analista era o de ambicionar com a terapia alcançar algo que produzisse efeito convicente sobre as pessoas. Até porque isso, além de gerar situações melindrosas para o analista, o tornaria impotente contra algumas resistências do paciente, que segundo o próprio Sigmund, dependeria fundamentalmente da ação reciproca de forças nele.
O analista DEVE se ajustar ao paciente (agora estou usando as palavras do dito cujo) " como um receptor se ajusta ao microfone transmissor".
Eu estava, aliás, eu sempre pergunto se meu psicanalista está sendo analisado, já que o analista tem que estar sempre passando por este processo de purificação psicanálitica, para que fique mais ou menos ciente dos complexos seus que podem interferir naquilo que o paciente pode lhe dizer.
Esse discurso asséptico de que o analista deve manter-se tão distante quanto for possível é uma balela desmentida por Freud, em seus escritos iniciais. É claro que não estou advogando a favor de uma tribuna de debates de complexos e histerias entre analisando e analisado, mas o pressuposto freudiano diz que toda confidência merece outra e todo aquele que exige intimidade de outra pessoa deve estar preparado para retribuí-la.
Não se trata de TÉCNICA AFETIVA, até porque se assim o fosse o paciente com certeza tornaria o seu interesse pela análise do analista como uma resistência para explorar a sua.
Duas questões me inquietam e seria de muito bom grado se me desse a oportunidade de refleti-las contigo, caro tovarish.
Uma delas diz respeito à questão do analista controlar-se e guiar-se pelas capacidades dos paciente em vez de seus próprios, uma vez, que nem todo neurótico possui grande talento para sublimação.
Gosto quando Freud afirma: "A AMBIÇÃO EDUCATIVA É DE TÃO POUCA UTILIDADE QUANDO A AMBIÇÃO TERAPÊUTICA".
Outra questão é sobre a colaboração intelectual do paciente no tratamento. O tal do Sigmund orientava que a personalidade do paciente é o fator determinante. Neste sentido, seria totalmente equivocado, segundo o tal, determinar tarefas ao paciente, como por exemplo, fazer com que ele reflita/pense sobre um período especifico de sua vida. Caro tovarish, sei que me dirás que ele refletiu a posteriore sobre esta afirmação, mas trago a mesma à tona, novamente para que opines e não se atenha apenas às reproduções das Obras Completas em CD pirata que comprastes nos Populares do A tarde.
Nos textos, aos quais me reportei, o Sigmund acreditava que o paciente tem que aprender que atividades mentais - a exemplo da reflexão sobre algo especifico, etc - não levam a nenhuma soluação para os enigmas das neuroses.
Lembro que sou muito arguta e resistente, porque tento a todo o momento exercitar a arte de desviar para o debate intelectual o tratamento. Teorizar, teorizar, teorizarr, muitas vezes, muito bem sobre o meu próprio estado, mas o caro Sigmund em 1912 já advertia que isto não era novidade e que estas artimanhas são categoricamente recursos que usamos para evitar a superação de nossas neuroses.
Bem, é claro que Freud me surpreendeu bastante quando disse que aprendêssemos mais com a experiência pessoal do que com toda a literatura piscanálitica que se poderia dispor.
"O ego não é senhor de sua própria casa", dizia lá o homem....

Ah, cansei, caro tovarish.
Espero que já tenham feito as apresentações entre você e minha camarada Giulietta Bronstein,
leve-a para os confins da resistência e não deixe que o partido da frustração e do diletantismo pequeno-burguês a levem em direção à casa dos mortos que não é nada dostoievskiana.

martedì, agosto 01, 2006

Cartas a Sciochitto - 23 de julho de 2006

Sciochitto.
Acordo às 07h.
Disposta, creio. Mas, disposta a quê?
Provavelmente a uma manhã onde lerei alguma poáginas de Isaac Deustscher, cuja biografia de Trotski me foi presenteada no meu aniversário. Logo que levantei-me , procurei pelo cd com mp3 de Bach e João Gilberto.
Allegro! Allegro!
Dormi razoavelmente, mas me sinto bem, ao menos, acredito que neste exato momento apresento um quadro estável.
Parece que adormeci com Dostoievski repousando nas minhas faces. O teu " Recordações da Casa dos Mortos". Imagino que alguém desligou a TV e o DVD, porque ninei-me com o cd "Transversal do Tempo" de Elis : " Saudosa maloca, maloca querida... onde nós passemo dias feliz da nossa vida"
É deveras interessante ouvir Elis cantar dessa forma, contudo acordeii com o livro e as marquinhas do mesmo no rosto.
Costumes! Costumes! Costumes!´
Primeiro cd do dia : Elis Especial 1979
Hm, uma pérola composta por Belchior e Fagner
"A tua falta somada
à minha vida tão diminuída
com esta dor multiplicada
Pelo fator despedida
Deixou minh'alma muito dividida.
Em frações tão desiguais
E desde a hora em que você foi embora.
Eu sou um zero e nada mais." (Noves Fora)

Eu nunca consigo responder à questão: Nara ou Elis ou Maysa?
Ella Fitzgerald ou Nina Simone ou Billie Holliday?
Ainda bem que Maria Callas não tem concorrência no que canta.
Ah, você deveria vê-la em Medéia do Pier Paolo Pasolini! Uma diva!
Godesse! Godesse! Godesse!
Caro Sciochitto,
uma situação revolucionária poderá abrir-se quando menos você esperar, já que um dos seus pressupostos é quando os de cima não podem continuar governando , e os de baixo não querem que continuem governando como até então.
Boa parte destes processos, situações do pós-guerra não tiveram um partido operário marxista-revolucionário na vanguarda dos acontecimentos , boa parte (novamente uso este termo) eram partidos pequeno-burgueses burocráticos.
Alguns dos processos até chegaram a mecanismos de expropriação, mas em síntese os elementos do proletariado com vontade revolucionária e do partido marxista revolucionário não estavam presentes em algumas destas revoluções políticas que triunfaram.
Existem revoluções que derrubam regimes contra-revolucionários, mas nem sequer destroem as forças armadas , tampouco o Estado burguês.
É bem verdade que pressupor as condições para uma situação revolucionária não é como um teorema de Pitágoras, onde o quadrado da hipotenusa é igual a soma dos quadrados dos catetos.
O partido (ao qual aspiro auxiliar a construir) revolucionário só pode caracterizar tal processo por meio da luta, pelo crescimento de suas forças e influência sobre as massas, e é claro pelo enfraquecimento da resistência das classes dominantes.
Um dia desses você me questionou sobre a contradição de "revolucionários" nos processos eleitorais: desde o tempo da Convergência Socialista, você deve ter escutado isto, que as eleições são para nós um meio para divulgar nosso programa contra o imperialismo. Sim, queremos ocupar também um espaço dentro da institucionalidade para utilizar a tribuna do parlamento como para locus para denunciar as mazelas do sistema e conclamar os trabalhadores à ruptura.
Não temos nenhum tipo de ilusão de que as eleições possam mudar a vida dos trabalhadores. É claro que não argumentamos isso porque, de fato, dadas as condições, não temos possibilidades de ganhar as eleições, mas porque, para nós marxistas, as eleições servem como elemento tático para a estratégia de mobilizar as massas e desenvolver um pólo alternativo para os trabalhadores.
Eu realmente acredito ( não como um dogma, ou uma fé sem substância) que enquanto não existir uma alternativa própria das massas, não será possível destruir este Estado e a democracia burguesa. Mas, isto, penso que se dará a partir da construção de um poder alternativo, que esteja apoiado nas mobilizações e organizações dos próprios trabalhadores.
Contudo, isso só será plausível, através de ascensos revolucionários onde a autodeterminação das massas em luta passe à Ação direta ( é claro que DE FORMA ALGUMA, isso não tem qualquer referência à proposta do partido de Carina Augusta e Carino Augusto, partidários da RFA ).
Até mais camarada,
espero que estejam te tratando com mais dignidade, pois ao que vejo
até os cães conseguem ser melhor tratados do que seres humanos na RFA.